As suas tradições gastronómicas tem algumas raízes Alentejanas, uma vez que este concelho faz fronteira com o concelho de Mértola, mas também de outras regiões do litoral algarvio e ainda é influenciada por estar junto ao Rio Guadiana.
É um concelho que está essencialmente ligado à vida rural, mas que considero ter um bom potencial turístico.
Estou muito ligada a esta região.
Já apresentei noutras postagens receitas desta região ou com produtos locais.
Hoje vou recordar um "bolo", que não sendo doce, poderá não ser considerado bolo ... , mas também não é pão ...
Recordo as minhas avós a amassarem o pão, no forno tradicional. E, nesse dia também se faziam as COSTAS, faziam-se bolos de massa de pão, torrava-se a farinha para os caldinhos, assavam-se batatas doces e faziam-se as argolinhas doces de massa de pão.
Agora, não temos forno tradicional, não temos "braços" para amassar 15 Kg de farinha ... mas temos fornos eléctricos, temos MFP ...
Eu sei, que não é a mesma coisa ... há aromas e sabores que se perdem ... mas, é muito bom ter pão quentinho acabado de fazer mesmo na MFP, mesmo no forno eléctrico.
Há uns dias, tentei recuperar a receita das "Costas", utilizando a máquina do pão e o resultado foi o seguinte:
Ingredientes:
- 1,5 dl de água morna
- 1/2 Colher (medida pequena) de sal
- 70 gr de açúcar amarelo
- 1,5 dl de gordura (num copo medida coloquei 1 colher de sopa de banha e depois deitei azeite até fazer a medida pretendida)
- 1 + 1/2 colher (medida pequena) de canela
- 1/2 colher (medida pequena) de erva doce
- 700 gr de farinha de trigo tipo 65
- 1 ovo
- 2 colheres (medida pequena) de levedura seca de padeiro
Na cuba da MFP coloquei a água morna, o sal e o açúcar amarelo.
Misturei a canela e a erva doce com a farinha e deitei na cuba.
Juntei o ovo inteiro e a levedura seca de padeiro.
Entretanto, coloquei as gorduras numa frigideira e levei a o lume para derreter a banha, e ficar bem quente, mas sem deixar ferver.
Seleccionei o programa de amassar. Quando a pá de amassar começou a misturar todos os ingredientes deitei lentamente a gordura bem quente.
Quando terminou o programa moldei as "costa" respeitando a forma tradicional.
Coloquei num tabuleiro polvilhado com farinha e foi ao forno previamente aquecido cerca de 30 minutos (dentro do forno pode estar um tabuleiro com água a ferver, para que fiquem mais estaladiças).

Depois de cozidas ficaram com este aspecto.
Nas padarias locais já se encontram "costas" recheadas com doce de gila.

São óptima ao pequeno almoço, simples, ou então com queijo, manteiga ou compota.
Espero que os apreciadores de "costas" gostem desta proposta.

Bom apetite














